Introdução ao Tarô*
Uma viagem pelas cartas do Tarô, primeiro que tudo, é uma viagem às nossas próprias profundezas. O que quer que encontremos ao longo do caminho é, au fond, um aspecto do nosso mais profundo e elevado eu. Pois as cartas do Tarô, que nasceram num tempo em que o misterioso e o irracional tinham mais realidade do que hoje, trazem-nos uma ponte efetiva para a sabedoria ancestral do nosso eu mais íntimo....Parece evidente que essas velhas cartas foram concebidas no mais profundo das entranhas da experiência humana, no nível mais profundo da psique humana. É para esse nível em nós mesmos que elas falarão....Visto que todo o material simbólico deriva de um nível de experiência humana comum a toda a humanidade, é verdade, naturalmente, que se podem fazer conexões válidas entre alguns símbolos do tarô e os de outros sistemas. Mas essa camada profunda da psique, que C.G.Jung denominou o inconsciente, por definição, não é consciente. Suas imagens não nascem do nosso intelecto ordenado mas, antes, apesar dele. Elas não se apresentam de maneira lógica....Ao definir a finalidade de um símbolo, Jung acentuava amiúde a diferença entre o símbolo e o sinal. O sinal, disse ele, denota um objeto ou idéia específica, que podem ser traduzidos em palavras (como, por exemplo, um poste listrado significa barbearia, ao passo que um X quer dizer cruzamento de estrada de ferro). O símbolo representa alguma coisa que não pode ser apresentada de nenhuma outra maneira e cujo significado transcende todos os específicos e inclui muitos opostos aparentes (como, por exemplo, a Esfinge, a Cruz, etc).As figuras dos Trunfos do Tarô contam uma história simbólica. À semelhança dos nossos sonhos, elas nos vêm de um nível que a consciência não alcança, e muito distante da nossa compreensão intelectual. Parece apropriado, portanto, comportar-nos em relação a esses personagens do Tarô de maneira muito parecida com a que usaríamos se eles nos tivessem aparecido numa série de sonhos que retratassem uma terra desconhecida e longínqua, habitadas por estranhas criaturas. Com tais sonhos, as associações puramente pessoais têm valor limitado. Podemos fazer melhor a conexão com o seu significado através da analogia com mitos, contos de fadas, dramas, quadros, acontecimentos históricos ou qualquer outro material com motivos similares, que evocam universalmente grupos de sentimentos, intuições, pensamentos ou sensações.
* Trechos da Introdução do livro de Sallie Nichols Jung e o Tarô: uma jornaa arquetípica (Cultrix).


