Autor do livro Tao da Física (1975), Ponto de Mutação (1982), As Conexões Ocultas (2002), dentre outros, Capra expõe seu ponto de vista a respeito da relação desejável entre esses dois sistemas de conhecimento: no livro organizado por Roger Walsh e FrancesVaughan Caminhos Além do Ego: uma visão transpessoal (Cultrix).
Estará a ciência moderna, com todo o seu sofisticado maquinário, apenas redescobrindo a milenar sabedoria oriental? Deverão, portanto, os físicos abandonar o método científico e começar a meditar? Ou será possível haver uma influência recíproca entre ciência e misticismo - talvez mesmo uma síntese?
Eu acho que todas essas perguntas têm respostas negativas. A meu ver, a ciência e o misticismo são duas manifestações complementares da mente humana: manifestações de suas faculdades racionais e intuitivas. O físico atual vê o mundo através de uma extrema especialização da mente racional; o místico, através de uma extrema especialização da mente intuitiva. As duas abordagens são inteiramente diferentes e envolvem bem mais que uma certa visão do mundo físico, contudo, elas são "complementares", como aprendemos a dizer na física. Uma não é abarcável pela outra nem pode ser reduzida à outra, mas ambas são necessárias, suplementando-se para uma compreensão mais completa do mundo. Lembrando as palavras de um velho provérbio chinês, os místicos compreendem as raízes do Tao, mas não seus galhos e ramificações; os cientistas compreendem os galhos, mas não as raízes. A ciência não precisa do misticismo, e o misticismo não precisa da ciência, mas os seres humanos precisam de ambos. A experiência mística é necessária à compreensão da natureza mais profunda das coisas, e a ciência é essencial à vida moderrna. Por isso, o que precisamos não é uma síntese, mas uma interação dinâmica entre a intuição mística e a análise científica.
Márcia Tabone em A Psicologia Transpessoal: Introdução à nova visão da Consciência em Psicologia e Educação assim expressa sua concordância com Capra:
Considero o ponto de vista de Grof *e Capra o mais abrangente ao colocar a Psicologia Transpessoal como "facilitadora" do diálogo entre a perspectiva científica, representada pela Ciência ocidental, e a perspectiva espiritual, representada pelas tradições filo-religiosas, pois concordo que ambas são visões da realidade, complementares e necessárias ao homem.* Stanilav Grof é um dos fundadores e principais expoentes da psicologia transpessoal
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